Fotografia: Pedro Aboim,  © Santa Casa da Misericórdia LisboaFotografia: Pedro Aboim,  © Santa Casa da Misericórdia Lisboa


Designação do objecto:

Arca Relicário de São João de Brito

Localização:

Lisboa, Portugal

Museu titular:

Santa Casa de Misericórdia de Lisboa / Museu de São Roque

Datação do objecto:

Cerca de 1694–1698

Autor (s) / Mestre (s) / Artesão (s):

Heinrich Mannlich (Marca de Ourives H.M.) (, Augsburgo /Augsburgo (Alemanha))

Número inventário do Museu titular:

MSR / Or 0625

Material / Técnica:

Prata branca e prata dourada.

Dimensões:

Altura: 54 cm; largura: 88 cm; profundidade: 40 cm

Atelier / Movimento:

Ourivesaria Alemã / Barroco Internacional.

Proveniência:

Augsburgo, Alemanha.

Tipologia do objecto:

Relicário.

Periodo de actividade:

1658–1698

Local de produção:

Augsburgo, Alemanha.

Descrição:

Os Portugueses estabeleceram entrepostos comerciais ao longo das costas da Índia e da China, onde os mercadores negociavam e armazenavam os seus produtos, estendendo a sua actividade pelo interior dos territórios. Enquanto as tradicionais estruturas políticas dos chefes locais se mantinham conservadoras, a classe mercantil aproveitava com a venda de objectos no mercado europeu. Além do comércio, os portugueses procuravam espalhar o Cristianismo entre as populações da Ásia, através dos missionários franciscanos, dominicanos e, mais tarde, com os jesuítas. Os missionários cristãos aprendiam as línguas nativas, familiarizavam-se com as culturas locais e até com as suas religiões. Neste aspecto, os jesuítas eram extremamente dedicados. São João de Brito foi enviado pela Companhia de Jesus para a missão do Maduré, na Índia, em 1673. O seu objectivo era converter as castas superiores, para facilitar o desenvolvimento do Cristianismo naquela região indiana. Para isso, trajava-se de pandaraswami, um asceta indiano. Um dos seus convertidos, o príncipe Tadaya Theva, foi denunciado pela mulher junto do tio desta, o Rajá de Marava, que mandou executar o jesuíta em Orbyur, na Índia, em 1690.
Esta arca, com uma tampa ligeiramente piramidal, apresenta baixos-relevos em prata, com cenas da vida e do martírio do santo missionário. O baixo-relevo, no topo, apresenta o santo vestido com o seu traje indiano tradicional, com sandálias e cajado. Vários querubins alados, em prata cinzelada, ladeiam a arca. O corpo da peça apresenta, de cada lado, dois anjos de asas abertas, de grande expressão barroca. Quatro pés ricamente elaborados, em prata dourada, sustentam a peça. Foi esta arca encomendada pelo rei D. Pedro II para homenagear a figura de S. João de Brito. O brasão de armas real, ao centro, testemunha a proveniência da peça. A presença de um “Agnus Dei”, no topo, deve-se, provavelmente, a um acrescento posterior feito pelos jesuítas, que cedo utilizavam esta arca como sacrário eucarístico, em ocasiões solenes.

View Short Description

Encomendada pelo rei D. Pedro II, esta Arca Relicário apresenta baixos relevo em prata cinzelada com cenas da vida e do martírio de S. João de Brito. O baixo-relevo, no topo da arca, apresenta o santo com o seu traje indiano, com sandálias e bastão.

Titular original:

Companhia de Jesus

Proprietário atual:

Santa Casa de Misericórdia de Lisboa /Museu de São Roque

Como foram estabelecidas datação e origem:

Moutinho de Almeida atribuiu esta peça ao ourives alemão Henrich Mannlich, pela identificação das marcas de ourives.

Historial da aquisição pelo Museu:

Após a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal, em 1759, a Igreja de São Roque e a Casa Professa da Companhia de Jesus (Casa dos Padres Professos), com todos os seus haveres, foram doados à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Bibliografia seleccionada:

Documentos para a História da Arte em Portugal, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, Vol. 5, 1969, p. 26.
Silva, N. V. e, “Os Relicários de S. Roque”, in Oceanos, nº. 12, Lisboa, 1992.
Almeida, F. M. de, Marcas de Pratas Portuguesas e Brasileiras – Século XV a 1887, Lisboa, 1995.
Vassalo e Silva, N., “Aspectos da Arte da Prata na Companhia de Jesus, (Séculos XVI a XVII)”, in O Púlpito e a Imagem. Os Jesuítas e a Arte, Lisboa, 1996.

Direitos de autor (designação completa):

Direitos de autor fotografias: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

Citation:

António  Meira Henriques "Arca Relicário de São João de Brito" in "Discover Baroque Art", Museum With No Frontiers, 2021. http://baroqueart.museumwnf.org/database_item.php?id=object;BAR;pt;Mus11_A;25;pt

Autoria da ficha: António Meira HenriquesAntónio Meira Henriques

APELIDO: Meira Henriques
NOME: António

INSTITUIÇÃO: Santa Casa da Misericórdia de Lisboa / Museu de São Roque

CARGO: Técnico do Museu

CV:
António Meira Henriques é licenciado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia de Braga (Universidade Católica) e Teologia pelo Milltown Institute of Theology, Dublin, Irlanda. Tem uma pós-graduação em Teologia pela Universidade de Santa Clara, Califórnia, USA. Entrou ao serviço na Santa Casa da Misericórdia de Lisboa em 1991 e integrou a equipa técnica do Museu de São Roque em 2001. Colabora no Serviço Educativo deste museu e desempenha actividades de investigação e estudo das Colecções.

Número interno MWNF: PT 28

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