
Palácio Pimenta
Casa da Quinta da Pimenta; Casa da Madre Paula; Palácio Galvão Mexia; Museu da Cidade de Lisboa
Lisboa, Lisboa, Portugal
Século XVIII
Desconhecido.
Arquitectura secular ou civil, palácio.
Atribuído ao rei D. João V.
É mal conhecida a história do palácio Pimenta, que é, no entanto, um interessante exemplar da arquitectura civil dos arredores de uma grande cidade. A lenda atribui a sua construção a D. João V, que teria encomendado o edifício de modo a aí instalar Paula Teresa da Silva, madre superiora do Mosteiro de Odivelas, que o monarca tornara sua amante. O palácio, cenário dos encontros amorosos do rei, tornou-se residência da família Galvão-Mexia. Em 1956, foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa. Entre 1979 e 1984, foi ali instalado o Museu da Cidade de Lisboa, aberto ao público nesta última data.
Edifício principal de planta rectangular e com fachada corrida, com dois andares e ático. O piso térreo possui janelas com emolduramento discreto, de traça barroca, e um grande portal ao centro, destinado a entrada de cerimónia, com dimensões suficientes para permitir a entrada de carruagens. Este grande portal compõe um registo vertical, com pilastras que o enquadram e se prolongam, abrangendo o primeiro andar, sustentando uma janela de cerimónia com varanda, ladeada, de cada lado, por uma janela de sacada. É encimado por um pequeno frontão semicircular que revela alguma erudição no desenho, possivelmente na esteira do barroco desenvolvido durante o reinado joanino, nomeadamente na sequência das obras de edificação do mosteiro de Mafra (1717-1730). Na ala nascente, encontra-se instalado um ensemble d'époque, que recria o ambiente de um destes palácios suburbanos durante o século XVIII, fazendo parte integrante do circuito de visita do Museu. Este, por sua vez, encontra-se instalado em todo o edifício e contém uma riquíssima colecção de arqueologia, lapidária, escultura, faiança, pintura, gravura e desenho, apresentando, de forma didáctica, a história da cidade de Lisboa. Destaca-se, especialmente, pelo espólio relativo ao período barroco. Aqui encontra-se a mais importante colecção de desenhos relativos à construção do Aqueduto das Águas Livres de Lisboa, bem como documentos (gravuras, plantas originais e desenhos) relativos à reconstrução da cidade depois do Terramoto de 1755.
View Short DescriptionPalácio suburbano de origem barroca, datado de meados do século XVIII, com um pátio traseiro com planta em U e quinta de recreio. Encontrava-se associado à exploração agrícola de uma parcela de terras do actual Campo Grande de Lisboa, outrora zona rural dos arredores da grande cidade.
Análise artística e estilística.
Piso térreo
C. 1750
Desconhecido
Recriação de uma cozinha do século XVIII, instalada no espaço destinado a este fim no próprio palácio. É revestida a azulejos de figura avulsa, com representações alusivas aos temas culinários (má cozinheira, peças de caça penduradas), e encontra-se dotada de uma chaminé de grande boca e de mesas de pedra com utensílios de cozinha setecentistas.
Interior do palácio
C.1750
Desconhecido
Grande escada de aparato na zona central e nuclear do Palácio.
Piso térreo
C. 1750
Desconhecido
Instalado na ala nascente do Palácio, dando para o jardim do buxo, encontra-se uma recriação do ambiente palaciano setecentista, com móveis da época. Destaque para o revestimento de azulejos com temas campestres, cenas galantes, chinoiseries, na sua maioria datados de 1746.
Piso térreo
Cerca de 1750
Desconhecido
Tal como acontece com o quarto de dormir, esta recriação da sala de jantar encontra-se na ala nascente do palácio. Merecem especial destaque os azulejos que forram as paredes, retratando temas rurais e cenas românticas, bem como as chinoiseries, cuja maioria data de 1746.
Moita, I. (direcção de), O Livro de Lisboa, Lisboa, 1994.
Serrão, V., “O Barroco”, História da Arte em Portugal, Lisboa, 2003.
Paulo Pereira "Palácio Pimenta" in "Discover Baroque Art", Museum With No Frontiers, 2026.
https://baroqueart.museumwnf.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;26;pt
Número interno MWNF: PT 26