
Convento de S. Gonçalo
Recolhimento de S. Gonçalo
Paróquia do Santíssimo Salvador da Sé, Angra do Heroísmo, Açores, Portugal
Séculos XVII e XVIII
Talha: mestres locais desconhecidos. Azulejaria: Teotónio dos Santos (atrib.) [n.d.]. Pintura: Oficina de Bento Coelho da Silveira (1648-1708) (atrib.).
Convento e igreja - arquitectura religiosa.
Brás Pires do Canto.
Logo que Brás Pires do Canto, padroeiro do convento, obteve o Breve Apostólico para a sua fundação na cidade de Angra, concedido em 1542, pelo Papa Paulo III, iniciou a construção das instalações. Três anos mais tarde, foram admitidas como fundadoras as suas duas filhas. Nos finais do século XVI, o convento ocupava já todo um quarteirão (vd. carta de Joan Hugues van Linschoten, 1595). As freiras, da Ordem de Santa Clara, ficariam conhecidas pela beleza do seu canto, pela perícia na confecção de flores, compotas, doces e demais artes. Este foi o único dos conventos da Ilha Terceira conservado pelo Decreto nº 25 de 17/5/1832, nele se albergando as religiosas dos outros conventos. A sua extinção ocorreu apenas em 1885, aquando da morte da última religiosa. Actualmente, funciona no edifício um jardim-de-infância e um recolhimento, administrados pela Congregação das Reparadoras do Sagrado Coração de Jesus.
De todos os estabelecimentos religiosos que existiram na Ilha Terceira, apenas o de S. Gonçalo mantém a mesma fisionomia do antigo convento, apesar das várias alterações. Este vasto edifício compreende dois claustros, um a sul, datando da primitiva construção do século XVI, e outro a norte, construído na centúria seguinte, com celas, cozinhas e refeitórios, no andar nobre, e os fornos primitivos e diversas dependências (lojas), no piso térreo.
A igreja, de nave única e dois coros sobrepostos, separados daquela por uma grade oval, emoldurada por talha barroca, integra também grandes painéis azulejares e pinturas a óleo sobre tela, da passagem do século XVII para o século XVIII. Esta unidade ornamental é quebrada pelo retábulo do altar-mor, um trabalho mais tardio, do período rococó.
O templo, de nave única e dois coros sobrepostos, separados daquela por uma grade oblonga, emoldurada de forma belíssima por talha barroca de “Estilo Nacional”, corresponde à chamada “igreja de ouro”, cujo programa decorativo se completa com painéis azulejares e pinturas a óleo sobre tela, da transição do século XVII para o século XVIII. O retábulo do altar-mor é mais tardio, do período rococó. O convento inclui dois claustros, um do século XVI e o outro do século seguinte.
Documentação histórica e análise estilística.
Nave da igreja
1675–1725 (“Estilo Nacional”)
Mestres escultores locais desconhecidos
Folhas de videira, cachos de uvas, folhas de acanto e em forma de plumagem, pássaros, fénix, combinados com serafins e anjos músicos, emoldurando exuberantemente a grade oblonga dos coros alto e baixo, seis pinturas a óleo sobre tela e as duas janelas que, de ambos os lados da nave, se abrem para o exterior, iluminando-a.
Nave da igreja
Transição do século XVII para o século XVIII
Atribuídas à oficina de Bento Coelho da Silveira (1648–1708)
Três das seis pinturas representam os ciclos da vida da Virgem e da infância de Jesus.
Parte inferior das paredes da igreja
Cerca de 1700-1725
Atribuídos a Teotónio dos Santos (produção azulejar lisboeta)
Quatro painéis de azulejos, dois por banda, um dos quais interrompido pelo púlpito e respectiva escada, revestem a parte inferior das paredes da nave. Estes painéis relatam a história de José do Egipto, cujos passos são elucidados por legendas em Latim. Na parte de baixo de cada painel, estão representados os milagres de São Gonçalo de Amarante.
Altar-mor
Século XVII
Desconhecido
Escultura representando Cristo Crucificado, com a coroa e o ceptro de prata dourada, sobre uma cruz revestida a prata filigranada, em conjunto de grande equilíbrio.
Claustro superior
Séculos XVI, XVII e XVIII
Artistas locais desconhecidos
Existem, hoje em dia, quatro oratórios: Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora do Carmo, S. Mateus e S. João Baptista. Apresentam retábulos pintados sobre madeira ou tela e os respectivos volantes, uma vez abertos, formam, com as pinturas centrais, trípticos ou polípticos, normalmente relacionados com o tema da pintura central. Os volantes apresentam também, na face exterior, pinturas da mesma época, à excepção do oratório de S. João Baptista.
Merelim, P., As Dezoito Paróquias de Angra, Angra do Heroísmo, 1974.
Bottineau, Y., “A Arquitectura nos Açores do Manuelino ao Barroco” in Martins, F. E. O., Arquitectura nos Açores: subsídios para o seu estudo, Horta, ed. SRTT / DRT, 1983, pp. 103–108.
Rosa, M. T., O Convento de S. Gonçalo em Angra do Heroísmo: contributos para o estudo da Arte Religiosa Açoriana, Dissertação de tese de mestrado em História da Arte, Universidade Lusíada, Lisboa, 1998.
Gonçalves, M. C., A Pintura no Convento de S. Gonçalo de Angra. [Trabalho inédito apresentado no âmbito do Seminário “Arte, Património e Identidade dos Açores” da Pós-graduação em Museologia, Património e Desenvolvimento, Universidade dos Açores, 2003].
Direitos de autor fotografias: Direcção Regional da Cultura/Governo Regional dos Açores.
Maria Cristina Gonçalves "Convento de S. Gonçalo" in "Discover Baroque Art", Museum With No Frontiers, 2026.
https://baroqueart.museumwnf.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;5;pt
Número interno MWNF: PT 05