
Igreja e Torre dos Clérigos
Porto, Porto, Portugal
1745–1763
Arquitecto: Nicolau Nasoni (1691–1773); entalhadores: Luís Pereira da Costa (activo c.1724), João Lopes da Maia [n.d.], Domingos Martins Moreira (activo 1746–1750).
Arquitectura religiosa (igreja).
Irmandade dos Clérigos.
As obras começaram logo em 1731, por encomenda da Irmandade dos Clérigos, que se constituíra em 1707, através da fusão de três entidades congéneres: a Confraria de S. Pedro, a Confraria de S. Pedro Neri e a Confraria de Nossa Senhora da Misericórdia. Por serem formadas por padres ou clérigos seculares, assumiu o nome de Confraria dos Clérigos. Em 1745, foi construída a fachada do templo e, pouco mais tarde, a escadaria (cerca de 1753), mas em 1748 a igreja já estaria quase concluída. A Casa dos Clérigos, como é chamada a parte, por assim dizer, burocrática do edifício, estava concluída em 1759, incluindo a secretaria e uma enfermaria. A torre foi construída mais lentamente, entre 1757 e 1763.
O edifício é de uma monumentalidade ímpar. A verticalidade da fachada, acentuada pelo grande embasamento que lhe serve de fundamento, e a impressionante torre sineira - uma verdadeira agulha quase gótica e catedralícia -, harmonizam-se com a invocação do templo a Nossa Senhora da Assunção, como que traduzindo em pedra as palavras que remetem para o movimento ascensional da Virgem, em direcção ao Céu. A genialidade de Nasoni empresta à igreja traços completamente inéditos na arquitectura portuguesa. Uma vez que houve que solucionar dificuldades de implantação e de fundação do edifício, que teria que vencer um grande desnível, instalando-se num terreno longitudinal, Nicolau Nasoni projectou uma fachada relativamente estreita e crescendo em altura. A esta grande entrada, sucede o corpo da igreja, de planta oval e com duplas paredes, com corredores de passagem em serventia rodeando a nave e dando acesso à parte posterior do edifício. A seguir, levantam-se as dependências utilitárias, autênticos escritórios das congregações e confrarias que aqui tinham assento, com maior sobriedade em termos de tratamento decorativo e seguindo, ao contrário do templo, um esquema arquitectónico tradicional, de paredes rectas. Por fim, Nasoni, que abdicava das torres ladeando a fachada, colocou a única e colossal sineira na face posterior do edifício.
View Short DescriptionIgreja de uma só nave, inscrita numa oval, com dependências anexas destinadas à congregação. Grande torre sineira na face posterior do edifício e interior com decoração barroca rocaille sobre pedra e talha dourada.
Análise estilística; documentação.
Rua S. Filipe Neri
1745
Arquitecto: Nicolau Nasoni (1691–1773)
A fachada tem um aspecto imponente. A porta de entrada, axial, é encimada por uma cartela oval e por um janelão de molduras curvas, ecoando uma forma que será retomada no interior do templo. As grandes pilastras que ladeiam o eixo central, de carácter clássico, são desmaterializadas no plano superior, no qual os efeitos barrocos do talhe da pedra se acentuam.
Exterior
1757–1763
Arquitecto: Nicolau Nasoni (1691–1773)
A torre possui seis andares e 75,6 metros de altura. Os andares vão variando em espessura, quase sempre estreitando, segundo uma estrutura telescópica. O jogo de varandas, no último andar da sineira, ajuda a desmaterializar o edifício e a aumentar o seu poder retórico, manifestando-se como uma espécie de “farol da fé” sobre toda a cidade.
Interior
1745–1759
Nicolau Nasoni (1691–1773)
Nave ovalada, de grandes dimensões, com paredes encurvadas e quatro altares de pedra.
Interior, capela-mor
1745–1759
Luís Pereira da Costa (activo 1724–n.d.), João Lopes da Maia [n.d.], Domingos Martins Moreira (activo 1746–1750)
Monumental retábulo de talha dourada, com traços rocaille.
1745–1746
Nicolau Nasoni (1691–1773)
A planta do edifício é composta por uma nave única elíptica, a capela-mor rectangular integrada nas dependências da Irmandade, a sacristia e a torre sineira. Os vários corpos do edifício, da escadaria até à torre, passando pela nave oval, o altar-mor e as dependências anexas, são dispostos de uma forma invulgar, numa progressão decrescente de volumes e de proporções elegantes.
Smith, R. C., Nicolau Nasoni. Arquitecto do Porto, Lisboa, 1973.
Alves, J. J. F., O Porto na Época dos Almadas , Porto, 1988.
Alves, N. M. F., A Arte da Talha no Porto na Época Barroca (Artistas e Clientela, Materiais e Técnica), Porto, 1989.
Paulo Pereira "Igreja e Torre dos Clérigos" in "Discover Baroque Art", Museum With No Frontiers, 2026.
https://baroqueart.museumwnf.org/database_item.php?id=monument;BAR;pt;Mon11;20;pt
Número interno MWNF: PT 20